quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Un Amour à Taire (2005)
Diversos filmes retratam os horrores do nazismo durante a Segunda Guerra Mundial, principalmente no que tange o antisemitismo e os horrores do holocausto. No entanto, todos nós sabemos que não foram apenas os judeus as vítimas desta barbárie, ciganos, homossexuais e deficientes físicos e mentais também sofreram abusos.
“Un Amour à Taire” nos mostra a questão homossexual deste período. Jean e Phillipe são amantes e abrigam a jovem Sara, fugitiva do governo nazista. Sara se passa por uma jovem alemã e começa a trabalhar na lavanderia da família de Jean, que aliás, desconhecem a sua homossexualidade. É então que Jacques, irmão de Jean, descobre o romance entre os dois rapazes e através de um plano mal calculado o entrega à Gestapo.
Jean é levado a um campo de trabalho onde sofre torturas e até mesmo lobotomia, simplesmente ele é vítima de experiências que visam à cura da homossexualidade. O filme é de uma imensa sensibilidade e causará fortes sentimentos naqueles que o assistirem.
(Un Amour à Taire - 2005)
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O Garoto (1921)
O Vagabundo (Charles Chaplin) acaba encontrando um bebê em uma lata de lixo deixado por uma mãe desesperada e decide levá-lo para sua pobre casa, adotando-o. Cinco anos depois descobre que a mãe virou alguém famosa, e tentará devolver a criança a ela, não sem antes muitos encontros e desencontros se realizarem.
(The Kid - 1921)
Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2 (2011)
A primeira parte do confronto entre Harry Potter (Daniel Radcliffe) e Lorde Voldemort (Ralph Fiennes) deixou uma série de perguntas a serem respondidas nesta produção. Como se viu ao final do filme anterior, o vilão consegue roubar a poderosa “varinha das varinhas”, uma das tais relíquias da morte, ao lado da Capa da Invisibilidade e da Pedra da Ressurreição.
Enquanto isso, Potter, ajudado por seus inseparáveis amigos Hermione (Emma Watson) e Rony (Rupert Grint), tenta destruir as Horcruxes, objetos que contêm partes da alma de Voldemort. Sem encontrá-los, como é contado em “Harry Potter e o Enigma do Príncipe”, o jovem mago não conseguirá sobreviver à profecia: “Nenhum dos dois poderá viver enquanto o outro estiver vivo” (A Ordem da Fênix).
Embora as competentes cenas de ação devam ser devidamente registradas, o roteiro ampara-se na conduta dos personagens. Caráter, lealdade, fraternidade e questionamentos causados pela escolha entre o bem e o mal são as pedras fundamentais desta derradeira sequência. Mais do que matar Voldemort, a missão do protagonista tenta imprimir a solidez moral dos envolvidos.
No decorrer de uma década, os atores Radcliffe, Grint e Emma Watson mostraram uma evolução em suas habilidades dramáticas – ela, em especial – que dão vigor ao conflito que se assiste na tela. No entanto, o que realmente convence a audiência é a colaboração especial de atores consagrados do cinema e teatro inglês em toda a trajetória do herói. Helena Bonham Carter, Ralph Fiennes, Michael Gambon, John Hurt, Gary Oldman, Kenneth Branagh, John Cleese, Imelda Staunton, Emma Thompson, Fiona Shaw, Alan Rickman, Maggie Smith, David Thewlis e Julie Walters são exemplos de quem levou credibilidade à trama.
Uma manobra muito bem-pensada pelo produtor David Heyman, que já imaginou levar aos cinemas a obra de J.K. Rowling em 1997, antes mesmo de ser publicada. Em entrevistas, ele chegou a confessar que não imaginava que a franquia faria tanto sucesso. Quem vê crianças e adultos falando um pseudolatim, como o “expelliarmus!”, nas filas de cinema também não imaginaria.
Deixando de lado os efeitos visuais e as boas interpretações, a adaptação dos livros sempre suscitou certas críticas, muitas delas feitas pelos próprios fãs da publicação. Embora captassem a essência, os filmes suprimiam detalhes importantes da história. O maior exemplo disso é Harry Potter e a Pedra Filosofal, cuja narrativa mostrou-se fragmentada para o espectador.
Os acertos vieram depois, como no competente O Prisioneiro de Azkaban, conduzido de forma sombria pelo diretor mexicano Alfonso Cuarón (de E sua mãe também). David Yates, que assumiu a franquia desde A Ordem da Fênix (o quinto livro), também deve ter reconhecidos seus méritos pelo O Enigma do Príncipe, embora peque nesta última parte. Harry Potter e as Relíquias da Morte, como um todo, é vigoroso e responde às perguntas centrais da trama, porém mantém arestas sem aparar.
Deixando de lado os subterfúgios simplórios utilizados pela autora para finalizar sua obra, há questões que permanecem neste desfecho. Uma delas é a aparição destemida do personagem Neville Longbottom (Matthew Lewis), entendida no livro, mas pouco razoável aqui. Outra é a pouca importância que se dá à Pedra da Ressurreição – uma das relíquias – , que simplesmente desaparece durante as cenas.
Pode-se entender que, devido à complexidade e volume do livro, a adaptação não deva se ater a preciosismos literários. E isso é razoável. Porém, privar o espectador de contextos convincentes é, no mínimo, perverso.
Isso sem contar certas dúvidas que o próprio livro traz à tona, como, por exemplo, o fato de Dumbledore não conseguir subjugar (não matá-lo, claro, por causa da Horcruxes) Voldemort no enfrentamento final de A Ordem da Fênix. Afinal, ele já possui a mais poderosa das varinhas que, por si só, já aniquilaria qualquer inimigo. E o que dizer sobre a questionável passagem de Belatriz Lestrang (aqui, Helena Bonham Carter) e os Comensais da Morte na casa dos Wealeys, quando Harry e Gina (Bonnie Wright) estavam sós (O Enigma do Príncipe)? Por que não os levaram?
Não se pode negar que a história do bruxo desperte emoções tanto nos atores que cresceram à sombra dele ou no público, ávido pelos conflitos. Daniel Radcliffe chegou a afirmar à imprensa que o sucesso trazido pelo personagem, no fim, conduziu-o, numa época, até ao alcoolismo. Hoje, aos 21 anos, ele já prefere uma vida caseira, longe dos vícios.
Harry Potter é um fenômeno. Pessoas vestidas como estudantes da escola fictícia de Hogwarts são comuns em filas de cinema. Nenhuma franquia conseguiu tão longo sucesso. O cronista e dramaturgo Nelson Rodrigues afirmava que pessoas podiam “fugir de seu odiento claustro doméstico para um mergulho escapista na fantasia”. Os livros e filmes de Rowling proporcionam isso. Daí o choro insuspeito no escuro do cinema.
Indicado a 3 Oscar: Direção de Arte, Maquiagem e Efeitos Visuais.
(Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 2 - 2011)
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Assalto ao Banco Central (2011)
O roteiro baseia-se no famoso roubo ao Banco Central em Fortaleza (CE), em agosto de 2005. Mas isso é apenas o ponto de partida, pois, como deixam claro diretor e produtores, essa é uma obra de ficção inspirada num fato real.
A história, por si só, já era cinematográfica, necessitando apenas de alguns ajustes ao criar uma narrativa, pois, até hoje, alguns detalhes são desconhecidos. Um túnel foi cavado de uma casa até o cofre do Banco Central, de onde foram levados quase R$ 165 milhões. O filme se propõe a contar quem são os ladrões, como roubaram e o que fizeram com o dinheiro.
Um grupo heterogêneo é formado por Barão (Milhem Cortaz), Mineiro (Eriberto Leão), Carla (Hermila Guedes), Doutor (Tonico Pereira) e Tatu (Gero Camilo), entre outros. Barão planeja e comanda a ação. Ele é um líder que pouco põe a mão na massa, deixando a escavação para os outros.
A trama de “Assalto ao Banco Central” acontece em dois tempos, que se alternam sem qualquer aviso, tornando-se confusa desde o começo. Quem é quem? Quem está trapaceando quem? Quem está infiltrado onde? E por que a delegada (Giulia Gam) tem uma namorada? São alguns dos mistérios que rondam o filme. Lima Duarte faz um delegado da Polícia Federal. O personagem é tão solitário que, para compensar, tem uma foto dele próprio na sua mesa. Mas o detalhe mais intrigante é a foto de Freud na parede de seu escritório. Giulia Gam é sua parceira – jovem e corajosa, ela é o novo em vias de substituir o que há de velho na PF.
O problema em “Assalto ao Banco Central” não é bem sua cara de televisão ou a trilha sonora chata. Seus personagens superficiais seriam perdoáveis se o filme tivesse ritmo, boa montagem e diálogos bem escritos. Se é para fazer televisão, Marcos Paulo e sua equipe poderiam ter chamado, por exemplo, Gilberto Braga que daria agilidade à trama e criaria vilões memoráveis e não um bando de ladrões confusos que, enquanto personagens, não dizem a que vieram.
(Assalto ao Banco Central - 2011)
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Mais ou Menos (2010)
O curta apresenta o drama vivido por um adolescente na escola, onde é constantemente discriminado por seus colegas. O líder do grupo chega a levar suspensão, mas persiste em sua violência declarada contra o colega de classe. Certa noite, depois de uma escapada desesperada, o inesperado acontece.
“O cinema pode ser considerado como uma espécie de ‘espelho da realidade’, pois mostra os mais variados aspectos da vida, não somente com o intuito de entreter o espectador, mas também tem o poder de fazê-lo refletir sobre o mundo à sua volta. A sétima arte funciona como uma formadora de conceitos. E como tal, muitas vezes acaba por ajudar a formar ideias erradas a respeito dos homossexuais, aumentando o preconceito por parte das outras pessoas. E o preconceito é um dos principais causadores da violência contra os gays, não só física, mas também moral”, diz o diretor de “Mais ou Menos”.
Segundo Alexander, o curta tenta mostrar alguns exemplos de discriminação que não são novidade para ninguém. “Todos nós já presenciamos ou ouvimos falar de situações parecidas com as do filme. Mas nessa história, um motivo real do preconceito é revelado, com o objetivo de tentar fazer as pessoas refletirem a respeito de suas próprias crenças e opiniões”, enfatiza.
“Mais ou Menos” já foi exibido no Brasil e exterior (Inglaterra, Itália, Canadá, Estados Unidos e Alemanha), sendo premiado em festival sem relação com a diversidade sexual.
(Mais ou Menos - 2010)
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Sob o Sol da Toscana (2003)
Das paisagens magníficas à fantástica culinária, passando pelos saborosos vinhos, tudo que aguça os sentidos pode ser encontrado na Itália. E uma de suas pérolas é a Toscana. A ensolarada região, no coração do país, é o palco da históra contada pela autora norte-americana Frances Mayers em seu romance Sob o Sol da Toscana - Em casa na Itália. O livro descreve os prazeres e as surpresas de restaurar uma antiga casa, numa combinação de diário, guia culinário e turístico.
“Sob o Sol da Toscana”, o filme, é uma adaptação livre deste bestseller, já que apanha a essência do livro mas altera fatos e personagens. Dirigido por Audrey Wells, também responsável pelo roteiro, o longa fala sobre a esperança da segunda chance na vida de uma mulher, Frances Mayers, interpretada por Diane Lane. Frances é uma bem sucedida escritora que após o divórcio perde a motivação pela vida e pelo seu trabalho. Para lhe ajudar a sair da depressão, Patti (Sandra Oh), sua melhor amiga, a presenteia com uma excursão de 10 dias pela Toscana, com a esperança de afastá-la daquela vida inerte.
Envolvida pelo encanto e romantismo do lugar, Frances, num gesto impetuoso, acaba comprando uma casa abandonada há mais de 30 anos. Em péssimo estado de conservação, o lugar é conhecido como Bramasole, que significa "algo que anseia pelo Sol". Em meio ao processo de restauração da casa, ela experimenta a adaptação na nova morada, sua busca por si mesma, pela felicidade e, é claro, por um novo amor. Entre paixões e desilusões, questionamentos, novas amizades e novos costumes, ela vai se encontrando, voltando a sorrir, a amar e a viver.
Belas locações, elenco italiano e diversas referências ao cinema de Federico Fellini remetem à ideia de que o filme presta uma homenagem à Itália. Num lugar onde as pessoas preservam suas tradições e a vida segue um ritmo tranquilo, Frances vai deixando transparecer sua descoberta de que a felicidade está nas coisas simples e nas sinceras relações de amizade. “Sob o Sol da Toscana” é um filme equilibradamente romântico em que a simplicidade da história nos dá a chance de degustar a magia do lugar e o charme de seus personagens. Uma prazerosa viagem pela Itália que vai fazer você sentir vontade de estar lá.
(Under the Tuscan Sun - 2003)
O Primeiro Ano do Resto das Nossas Vidas (1985)
Sete amigos recém-formados se deparam com a amarga realidade do mundo real, tendo que conviver com a insegurança profissional e emocional nesta nova fase da vida. Este novo momento pode pôr em risco a amizade existente entre eles, a qual acreditavam que seria eterna.
(St. Elmo's Fire - 1985)
Se Meu Apartamento Falasse (1960)
Billy Wilder costumava coçar a sociedade americana justamente onde ela sentia mais cócegas. Inspirado por "Desencanto" (1945), de David Lean, precisou esperar 10 anos para que a censura relaxasse antes de poder contar a história do "terceiro" homem, o sujeito que empresta o apartamento para o casal adúltero. Surpreendentemente, apesar do tema delicado, "Se Meu Apartamento Falasse" ganhou nada menos que cinco prêmios da Academia e agora é considerado por muitos como o último filme verdadeiramente "realista" do diretor.
Alguns criticaram a amoralidade do personagem de Jack Lemmon, C. C. Baxter, que ganha promoções rapidamente apenas por ajudar alguns dos executivos da grande empresa de seguros onde trabalha a enganarem suas mulheres. Mas Lemmon, que costumava interpretar o homem comum em obras de Wilder, dá ao papel um sólido toque de humanidade e Baxter acaba parecendo nada além de um funcionário escravizado contra a vontade, preso a uma situação que já existia no início do filme e que foge a seu controle. Apesar do humor, "Se Meu Apartamento Falasse" é, em realidade, uma severa crítica social, bem como um exame da vida na América contemporânea e seus comportamentos sexuais. É também um ataque vigoroso contra a corrupção básica do sistema capitalista, no qual quem tem um pouco de influência pode se dar bem em detrimento dos outros.
"Se Meu Apartamento Falasse" combina com habilidade vários gêneros, mas em resumo começa como uma comédia satírica, transforma-se em um poderoso drama e termina como comédia romântica. Construído meticulosamente, o desiludido roteiro de Wilder e I. A. L. Diamond pode ser considerado, de certa forma, uma continuação amargurada de "O Pecado Mora ao Lado" (1955) - uma continuação magnificamente filmada em um cinemascope preto-e-branco um tanto sombrio. Depois das férias de verão, quando os homens tiveram casos na ausência das mulheres, eles logo abandonam suas amantes,. Fran Kubelik (Shirley MacLaine) é uma dessas moças desafortunadas e acredita que romances não são um bem de consumo como outro qualquer. No final, o burocrata finalmente se redime por amor a outro coração solitário, embora o filme evite com sucesso qualquer toque açucarado. Apesar de Wilder aparentemente não considerar a combinação de Lemmon e MacLaine muito eficiente, os espectadores têm todo o direito de manter uma opinião bem diferente.
Vencedor de 5 Oscar: Melhor Filme, Direção de Arte, Direção (Billy Wilder), Edição e Roteiro Original. Indicado nas categorias: Melhor Ator (Jack Lemmon), Ator Coadjuvante (Jack Kruschen), Melhor Atriz (Shirley MacLaine), Fotografia e Som.
(The Apartment - 1960)
Oliver! (1968)
Desde seu início sofrido, o jovem Oliver Twist (Mark Lester) percebeu que a sua missão de achar uma família e uma casa não era uma das tarefas mais fáceis. Em sua trajetória consta participação em um grupo de trombadinhas, liderados pelo sacana Fagin (Ron Moody) e o terrível vilão Bill Sikes (Oliver Reed). Mas com a ajuda do talentoso Dodger (Jack Wild) e a linda Nancy (Shani Wallis) Oliver logo encontra o caminho certo a seguir.
Vencedor do Oscar de Melhor Filme, Direção de Arte, Direção (Carol Reed), Trilha Sonora e Som. "Oliver!" levou ainda um Oscar honorário para Onna White pela elaboração das coreografias executadas durante as canções. O filme também foi indicado em mais 6 categorias, sendo elas: Melhor Ator (Ron Moody), Ator Coadjuvante (Jack Wild), Fotografia, Figurino, Edição e Roteiro Adaptado.
(Oliver! - 1968)
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Conduzindo Miss Daisy (1989)
Uma rica judia de 72 anos de idade (Jessica Tandy) acidentalmente joga seu carro novo no jardim do vizinho. Seu filho Boolie (Dan Aykroyd) tenta convencê-la de que ela precisa de um motorista, mas ela resiste à ideia. Mesmo assim, seu filho contrata o motorista Hoke (Morgan Freeman), provocando a imediata recusa de sua mãe. Mas gradativamente ela quebra a barreira da diferença cultural e racial existente entre eles, aceita suas próprias limitações e permite nascer e crescer um sentimento puro e sincero de amizade que durará décadas.
Sem fugir do clichê “eles se odeiam e depois viram grandes amigos” (que neste caso é muito bem utilizado, pois o desentendimento inicial é perfeitamente aceitável, assim como o nascimento da relação de respeito e carinho entre eles), o bom roteiro de Alfred Uhry estuda minuciosamente os efeitos do envelhecimento no ser humano, normalmente resistente às mudanças provocadas pela passagem do tempo. Esta resistência provoca uma enorme dificuldade em aceitar que não podemos mais fazer as mesmas coisas de antes, como quando Miss Daisy resiste em aceitar que não pode mais dirigir. Além disso, o roteiro acertadamente aborda temas complicados, como o racismo (os negros são empregados e motoristas), tão forte naquele período da história dos EUA, e a discriminação religiosa, escancarados na frase preconceituosa do policial que pára os dois idosos na estrada. Finalmente, o roteiro de Uhry conta ainda com diálogos dinâmicos, inteligentes e repletos de ironia, principalmente entre a dupla principal e entre Miss Daisy e seu filho.
A velhice é tratada com respeito neste sensível “Conduzindo Miss Daisy”, extremamente bem atuado e com um roteiro bastante inteligente, que nos deixa algumas reflexões. A vida passa, o corpo enfraquece, os filhos crescem, os amigos e familiares se vão, mas as lembranças ficam. E afinal de contas, o que levamos desta vida? Levamos o amor, as verdadeiras amizades e as histórias que vivemos para contar. Melhor ainda é quando chegamos ao final desta trajetória podendo contar com alguém, seja este um companheiro ou um verdadeiro amigo. É isto que vale a pena na vida.
"Conduzindo Miss Daisy" venceu os Oscar de Melhor Filme, Melhor Atriz (Jessica Tandy), Maquiagem e Roteiro Adaptado. Foi também indicado nas categorias de Melhor Ator (Morgan Freeman), Ator Coadjuvante (Dan Aykroyd), Direção de Arte, Figurino e Edição.
(Driving Miss Daisy - 1989)
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quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Desenrola (2011)
No enredo de “Desenrola” é apresentado Priscila (Olívia Torres) que, aos 16 anos, tem um milhão de dúvidas sobre a vida, os rapazes, o futuro e o presente. Quando sua mãe (Claudia Ohana) sai em viagem, ela vê a possibilidade de investir seriamente em Rafa (Kayky Brito), mais velho do que ela e por quem se sente atraída.
Essa é a linha central da narrativa de “Desenrola” que aos poucos procura ganhar densidade com novos personagens, dilemas e conflitos da adolescência, como a gravidez precoce. É verdade que nem sempre consegue a profundidade que aspira. A própria gravidez de uma personagem secundária é uma questão resolvida muito facilmente.
Ainda assim, a diretora do filme sabe falar diretamente ao seu público. Tendo como referência alguns retratos brasileiros da juventude da década de 1980, como Bete Balanço, Menino do Rio e Garota Dourada, “Desenrola” quer – e consegue em boa parte do tempo – ser um filme ensolarado (não por acaso estreia no verão) e descolado. Rosane cria alguns momentos bastante inspirados, como uma serenata peculiar e uma bela cena em que Priscila ganha flores oferecidas por estranhos, na rua, ao som de “Linda Rosa”, numa versão da banda Playmobil.
No elenco de “Desenrola” há três achados. A dupla Lucas Salles e Vitor Thiré garante alguns dos momentos mais engraçados do filme, como um garoto ingênuo e apaixonado por Priscila e o melhor amigo dele. Já a protagonista, Olívia Torres, combina carisma com a ingenuidade e a insegurança da juventude. Ela transforma a personagem, que nas mãos de atriz menos talentosa podia se tornar um clichê ambulante, numa garota real, que pensa, sonha e tem sentimentos.
Se para muitos adolescentes “Desenrola” funcionará como espelho, para seus pais será um alerta – ou até mesmo aplicará um susto. Essa é a chance do filme cumprir um papel social, abrindo discussões sobre as dificuldades e alegrias da passagem da infância para a vida adulta.
Segue o trailer do filme:
(Desenrola - 2011)
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quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Pixote: A Lei do Mais Fraco (1981)
Faz tempo que eu não escrevo aqui. No máximo tenho feito algumas postagens sobre alguns filmes, curtas e seriados que tenho assistido, mas na maioria das vezes posto alguma crítica que leio pela internet, não me apegando ao blog como fazia antigamente. Talvez seja porque penso eu que ninguém tenha interesse em ler minhas postagens. Bem, vou tentar reverter esta situação e começar a expressar-me aqui novamente, imaginando que alguém lerá o que aqui escrevo.
Há muito tempo ouvi falar em “Pixote: A Lei do Mais Fraco”, creio eu que foi minha mãe quem me falou sobre este filme, ou melhor, sobre o garoto Fernando que o interpreta, ao ressaltar o seu fim trágico na vida real, que aliás foi retratado no filme “Quem Matou Pixote?” de 1996. Foi a partir daí que surgiu meu interesse de ver esta obra. Este filme completa neste ano exatos 30 anos de existência e é triste assisti-lo e perceber que a realidade brasileira em relação ao desvirtuamento infantil não mudou, continua o mesmo, o que torna esta película atual.
Héctor Babenco, diretor argentino, que mais tarde dirigiu “O Beijo da Mulher Aranha”, nos conta a história de Pixote, um garoto de 10 anos que vive nas ruas de São Paulo. Filho de pai desconhecido e mãe ausente, ele se envolve em pequenos furtos, até ser detido e levado a um reformatório destinado a cuidar de menores de idade, neste lugar o garoto passa a vivenciar situações de tortura, violência, abuso sexual, degradação e corrupção, até que consegue fugir e retorna às ruas, onde vivenciará novas situações.
O filme é uma crítica a diversos sistemas brasileiros, como o legislativo, o político, o carcerário, o da saúde, etc. Uma dessas críticas recai sobre a corrupção envolvendo menores de idade, que por não serem punidos por crimes cometidos, passam a ser explorados por bandidos e levados ao mundo do crime. Outros temas abordados é a homossexualidade, o uso de drogas e a prostituição.
“Pixote: A Lei do Mais Fraco” consegue nos dar um soco no estômago. Ainda atual, o filme deve ser visto por quem deseja olhar o Brasil de uma maneira crítica. Não posso deixar de citar as participações de grandes atrizes, como Marília Pêra e Elke Maravilha, além da competência de Babenco ao selecionar garotos de rua para atuarem nos papéis principais, o que dá uma maior realidade ao filme.
(Pixote: A Lei do Mais Fraco - 1981)
Há muito tempo ouvi falar em “Pixote: A Lei do Mais Fraco”, creio eu que foi minha mãe quem me falou sobre este filme, ou melhor, sobre o garoto Fernando que o interpreta, ao ressaltar o seu fim trágico na vida real, que aliás foi retratado no filme “Quem Matou Pixote?” de 1996. Foi a partir daí que surgiu meu interesse de ver esta obra. Este filme completa neste ano exatos 30 anos de existência e é triste assisti-lo e perceber que a realidade brasileira em relação ao desvirtuamento infantil não mudou, continua o mesmo, o que torna esta película atual.
Héctor Babenco, diretor argentino, que mais tarde dirigiu “O Beijo da Mulher Aranha”, nos conta a história de Pixote, um garoto de 10 anos que vive nas ruas de São Paulo. Filho de pai desconhecido e mãe ausente, ele se envolve em pequenos furtos, até ser detido e levado a um reformatório destinado a cuidar de menores de idade, neste lugar o garoto passa a vivenciar situações de tortura, violência, abuso sexual, degradação e corrupção, até que consegue fugir e retorna às ruas, onde vivenciará novas situações.
O filme é uma crítica a diversos sistemas brasileiros, como o legislativo, o político, o carcerário, o da saúde, etc. Uma dessas críticas recai sobre a corrupção envolvendo menores de idade, que por não serem punidos por crimes cometidos, passam a ser explorados por bandidos e levados ao mundo do crime. Outros temas abordados é a homossexualidade, o uso de drogas e a prostituição.
“Pixote: A Lei do Mais Fraco” consegue nos dar um soco no estômago. Ainda atual, o filme deve ser visto por quem deseja olhar o Brasil de uma maneira crítica. Não posso deixar de citar as participações de grandes atrizes, como Marília Pêra e Elke Maravilha, além da competência de Babenco ao selecionar garotos de rua para atuarem nos papéis principais, o que dá uma maior realidade ao filme.
(Pixote: A Lei do Mais Fraco - 1981)
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terça-feira, 30 de agosto de 2011
Dr. Fantástico ou Como Aprendi a Parar de me Preocupar e Amar a Bomba (1964)
"Cavalheiros, não podem brigar aqui! É a Sala de Guerra." "Dr. Fantástico" é uma brilhante comédia de humor negro que funciona como sátira política, suspense farsesco e história exemplar sobre os riscos da tecnologia para os Estados Unidos. Quando um fanático general americano desfecha um ataque nuclear contra a União Soviética, o presidente tem muito o que fazer. Precisa chamar de volta seus bombardeiros e acalmar os russos enquanto se digladia com seus conselheiros e um cientista pervertido. A trama de suspense veio de um livro séri, escrito por um oficial da Força Aérea Britânica, Peter George, publicado nos Estados Unidos sob o nome de Red Alert e na Inglaterra como Two Hours to Doom. Kubrick adorou a história, mas achou que as pessoas andavam tão impressionadas com a ameaça de aniquilação que, em processo de negação, ficariam apáticas a um documentário ou drama sobre a questão nuclear. Ele surpreenderia a plateia ao tornar a perspectiva concreta de exterminação global em alguma coisa engraçada e provocante, contada com tática de história em quadrinhos.
Kubrick e o co-roteirista Terry Southern criaram personagens grotescos cujas fixações absurdas e improváveis contrabalançam o realismo da situação (que também é acentuado pela notável fotografia em preto-e-branco de Gilbert Taylor). A informação sobre um mecanismo capaz de provocar o apocalipse é real, como também são as operações do Comando Aéreo Estratégico e os procedimentos adotados pelos tripulantes do B-52. Os computadores que levam a situação para fora do controle humano só se tornaram mais poderosos. Tenha medo. Tenha muito medo.
A ação transcorre em três pontos diferentes, todos experimentando dificuldades de comunicação. Na base aérea de Burpelson está o maníaco general Jack D. Ripper (Sterling Hayden), obcecado com fluidos corporais e conspirações comunistas. Ele subverte os protocolos de segurança e envia um avião para bombardear os "vermelhos" com um artefato nuclear. Ao mesmo tempo, aprisiona o atônito oficial da Força Aérea Britânica Lionel Mandrake (Peter Sellers). No B-52 de codinome "Colônia de Leprosos", o determinado major T.J. "King" Kong (Slim Pickens) e sua tripulação (que inclui James Earl Jones em sua estreia) sofrem de dificuldades com a radiocomunicação e ignoram os esforços frenéticos para que voltem à base. Na Sala de Guerra, no Pentágono - um incrível cenário de Ken Adams -, o presidente Merkin Muffley (Sellers) tenta interromper o Armagedom ao lado do descontrolado general Buck Turgidson (George C. Scott), do embaixador soviético Sadesky (Peter Bull) e do demente Dr. Fantástico (Sellers novamente, em uma homenagem de Kubrick a Rotwang, cientista maluco e fútil de "Metrópolis").
O hilariante desempenho de Sellers em papel triplo é legendário, mas todo o elenco dá uma aula em marcações exageradas e perfeitamente executadas. Duas imagens são inesquecíveis: Kong montando a bomba H, urrando enquanto despenca, e o enlouquecido Dr. Fantástico, incapaz de impedir seu braço mecânico de fazer a saudação nazista e finalmente se esganando. Rever este filme é ter a chance de constatar que ele está recheado de diálogos impagáveis. O presidente Muffley falando ao telefone com o primeiro-ministro soviético que um de seus comandantes "foi e fez uma besteira" é um clássico entre os monólogos. Kubrick retornaria ao tema da ameaça em potencial representada pela dependência para com os computadores em "2001: Uma Odisséia no Espaço", à questão da violência política e institucional em "Laranja Mecânica" e à selvageria surreal da guerra em "Full Metal Jacket". Mas nunca voltou a fazer suas plateias rirem tanto.
Indicado a 4 Oscar: Melhor Filme, Melhor Ator (Peter Sellers), Melhor Diretor (Stanley Kubrick) e Roteiro Adaptado.
(Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb - 1964)
Kubrick e o co-roteirista Terry Southern criaram personagens grotescos cujas fixações absurdas e improváveis contrabalançam o realismo da situação (que também é acentuado pela notável fotografia em preto-e-branco de Gilbert Taylor). A informação sobre um mecanismo capaz de provocar o apocalipse é real, como também são as operações do Comando Aéreo Estratégico e os procedimentos adotados pelos tripulantes do B-52. Os computadores que levam a situação para fora do controle humano só se tornaram mais poderosos. Tenha medo. Tenha muito medo.
A ação transcorre em três pontos diferentes, todos experimentando dificuldades de comunicação. Na base aérea de Burpelson está o maníaco general Jack D. Ripper (Sterling Hayden), obcecado com fluidos corporais e conspirações comunistas. Ele subverte os protocolos de segurança e envia um avião para bombardear os "vermelhos" com um artefato nuclear. Ao mesmo tempo, aprisiona o atônito oficial da Força Aérea Britânica Lionel Mandrake (Peter Sellers). No B-52 de codinome "Colônia de Leprosos", o determinado major T.J. "King" Kong (Slim Pickens) e sua tripulação (que inclui James Earl Jones em sua estreia) sofrem de dificuldades com a radiocomunicação e ignoram os esforços frenéticos para que voltem à base. Na Sala de Guerra, no Pentágono - um incrível cenário de Ken Adams -, o presidente Merkin Muffley (Sellers) tenta interromper o Armagedom ao lado do descontrolado general Buck Turgidson (George C. Scott), do embaixador soviético Sadesky (Peter Bull) e do demente Dr. Fantástico (Sellers novamente, em uma homenagem de Kubrick a Rotwang, cientista maluco e fútil de "Metrópolis").
O hilariante desempenho de Sellers em papel triplo é legendário, mas todo o elenco dá uma aula em marcações exageradas e perfeitamente executadas. Duas imagens são inesquecíveis: Kong montando a bomba H, urrando enquanto despenca, e o enlouquecido Dr. Fantástico, incapaz de impedir seu braço mecânico de fazer a saudação nazista e finalmente se esganando. Rever este filme é ter a chance de constatar que ele está recheado de diálogos impagáveis. O presidente Muffley falando ao telefone com o primeiro-ministro soviético que um de seus comandantes "foi e fez uma besteira" é um clássico entre os monólogos. Kubrick retornaria ao tema da ameaça em potencial representada pela dependência para com os computadores em "2001: Uma Odisséia no Espaço", à questão da violência política e institucional em "Laranja Mecânica" e à selvageria surreal da guerra em "Full Metal Jacket". Mas nunca voltou a fazer suas plateias rirem tanto.
Indicado a 4 Oscar: Melhor Filme, Melhor Ator (Peter Sellers), Melhor Diretor (Stanley Kubrick) e Roteiro Adaptado.
(Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb - 1964)
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1001 Filmes Para Ver Antes de Morrer,
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Indicado ao Oscar
Atividade Paranormal (2007)
A história é bastante simples. Micah (Micah Saloat) compra uma câmera para comprovar possíveis fenômenos paranormais presenciados por sua namorada Katie (Katie Featherston). Como em “A Bruxa de Blair”, ele filma as mais rotineiras ações do casal – de forma trêmula – para comprovar a existência de um suposto fantasma na casa onde moram.
Todas as noites o casal é surpreendido por uma série de situações inexplicáveis, que são captadas pela câmera. De madrugada, eles são acordados por ruídos estranhos, portas batendo, vozes, sombras e até contatos diretos, com claros indícios de manifestação demoníaca na casa.
Nesse contexto, Oren Peli tenta induzir o espectador a ver a história como algo verídico. Daí o agradecimento a famílias supostamente afetadas pelos fenômenos encenados na produção, nos créditos iniciais do filme. Mas isso não passa de uma grande jogada de marketing, embora sua mensagem assustadora seja eficiente.
Quem gosta de filmes de terror, não pode deixar de ver “Atividade Paranormal”. O diretor consegue realizar um filme sombrio, em que os detalhes da trama são fundamentais para assombrar o espectador. A julgar pela reação do público da pré-estréia desaconselha-se ver esta produção sem companhia.
Uma das curiosidades do filme está na suposta influência do diretor Steven Spielberg sobre o final da história. Ele teria feito Oren Peli mudar o desfecho de uma primeira versão, disponível na internet, tornando-o mais adaptável a continuações.
Mesmo que, a rigor, a produção não possa ser levada muito a sério como obra cinematográfica, ela é eficiente quando o espectador está sozinho em casa, acreditando que algo está levantando o lençol, enquanto tenta dormir.
(Paranormal Activity - 2007)
O Bolo (2010)
Este curta-metragem conta a história de uma empregada doméstica evangélica e recatada, que certo dia, ao chegar ao apartamento de seu patrão homossexual para fazer a limpeza diária encontra um bolo de chocolate recheado com maconha.
É aí que a comédia se inicia e faz deste curta um ótimo passa tempo para aqueles que gostam de rir ao ver uma boa moça recatada libertando seus instintos sexuais.
(O Bolo - 2010)
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