segunda-feira, 22 de outubro de 2012
Adeus, Primeiro Amor (2011)
Dois jovens franceses vivem um dilema quando um deles decide se aventurar pela América do Sul sozinho, abandonando o outro na França. O jovem casal vive as dores da separação e enfrentam a vida para assim amadurecerem. Em uma narrativa lenta e com personagens pouco atraentes, o filme não é nada interessante...
(Un Amour de Jeunesse - 2011)
Antoine e Colette (1962)
Após assistir ao filme "Os Incompreendidos" de Truffaut, assisti a este curta-metragem de 32 minutos que nada mais é que a breve continuação da história da vida de Antoine Doinel, novamente interpretado por Jean-Pierre Léaud.
Antoine agora é um jovem rapaz que trabalha em uma fábrica de discos de vinil e vive sozinho. É apaixonado por filmes e música e por esta razão sempre vai ao cinema e assiste à concertos. É nesta ocasião que ele conhece a bela Colette e assim se apaixona, no entanto, o amor de Antoine não é correspondido.
(Antoine et Colette - 1962)
domingo, 21 de outubro de 2012
O Palhaço (2011)
Dirigindo a si mesmo, Selton Mello é capaz de se reinventar num personagem que foge de qualquer coisa que já o vimos fazer antes. Isso se dá especialmente porque ele tem ao seu lado o grande Paulo José num personagem daqueles maiores que a vida, que ameaça tomar o filme para si.
Paulo e Selton são pai e filho, e também uma dupla de palhaços, com nomes artísticos de Puro Sangue e Pangaré. O rapaz, cujo nome de batismo é Benjamim, parece não ter conhecido uma vida que não fosse essa do circo. Ser palhaço, pensa ele, não foi sua escolha, foi uma consequência da vida. Por isso mesmo, quando surge uma rebeldia adolescente tardia ele quer cair no mundo. Descobrir o que há além da tenda do circo é descobrir a si mesmo, é mergulhar nas oportunidades, correr riscos e ganhar as conquistas. Porque até então a vida de Benjamin não lhe pertencia.
Para qualquer personagem, seja no cinema ou na literatura, obter sua independência é uma viagem, que pode ganhar tons metafóricos. Em “O Palhaço”, o protagonista cai no mundo em busca de um ventilador e um amor. Desculpas bobas, o que ele quer mesmo é encontrar sozinho sua identidade. Fazer essa viagem é abrir mão do velho para abraçar ao novo. O palhaço perde o circo para ganhar o mundo.
Personagens estranhos cruzam o caminho de Benjamim. Eles são a prova de que de perto, ninguém é normal. Eles também são a oportunidade que Selton encontrou para resgatar e homenagear ídolos de sua infância. Entram em cena o ex-garoto-propaganda Ferrugem, como um atendente de uma prefeitura; o eterno Zé Bonitinho, Jorge Loredo; e Moacyr Franco.
“O Palhaço” foi escolhido para representar o Brasil na disputa de uma das cinco nomeações para a categoria Melhor Filme Estrangeiro no Oscar, creio que as chances serão remotas e que, caso seja nomeado, vencer nesta categoria seria praticamente impossível.
(O Palhaço - 2011)
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Os Incompreendidos (1959)
O longa metragem de estreia de François Truffaut, "Os Incompreendidos", lhe rendeu o prêmio de melhor diretor no Festival de Cannes em 1959. Da noite para do dia, o jovem realizador estava no mapa da cultura cinematográfica mundial - e preparando o caminho para companheiros de nouvelle vague, como Jean-Luc Godard e Eric Rohmer, que já estavam envolvidos em seus próprios projetos de vanguarda.
Como outros cineastas da nouvelle vague, Truffaut cultivava suas principais ideias escrevendo artigos para o Cahies du Cinéma, a sofisticada revista de cinema, a sofisticada revista de cinema editada por André Bazin - que muitas vezes incentivava os críticos da publicação a perseguirem suas convicções para além das questões estéticas e filosóficas que lhe interessavam pessoalmente. Truffaut era o colaborador mais agressivo do grupo, criticando ferozmente a "tradição de qualidade" do cinema francês enquanto formulava a politique des auters que encarava diretores extremamente criativos como os principais autores de seus filmes.
"Os Incompreendidos" está repleto desse espírito do cinema personalista que Truffaut louvava como críticos. O herói, Antoine Doinel (Jean-Pierre Léaud), é uma versão ligeiramente ficcionalizada do próprio auteur, e Truffaut revelou posteriormente ter alimentado a intensidade da interpretação do ator de 15 anos de idade ao se unir a ele em uma conspiração pessoal contra o restante do elenco e da equipe. O mestre da fotografia Henri Decae filmou em locação em Paris, e Truffaut jamais hesitou em se afastar do enredo original para transmitir detalhes emocionais de forma pungente. Uma dessas sequências se dá quando Antoine anda em um brinquedo de parque de diversões contorcendo o corpo de uma maneira que expressa seu impulso um tanto débil de se rebelar contra as normas castradoras da sociedade. Outro exemplo disso surge no final do filme, quando a câmera de Truffaut escapa de um reformatório com Antoine, acompanhando-o ininterruptamente enquanto ele corre esbaforido para lugar nenhum e então fechando um zoom no seu rosto para capturar uma imagem de angústia existencial que é, indiscutivelmente, o momento mais pungente de toda a nouvelle vague.
Truffaut e Léaud deram prosseguimento às aventuras de Antoine em mais quatro filmes, concluindo a série com "O Amor em Fuga", em 1979, quatro anos antes da morte prematura do diretor. Embora essas continuações tenham seu charme, "Os Incompreendidos" continua incomparável como destilação dos mais exuberantes instintos criativos da nouvelle vague.
Indicado ao Oscar de Roteiro Original.
(Les Quatre Cents Coups - 1959)
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quinta-feira, 11 de outubro de 2012
A Mulher de Preto (2012)
O personagem de Daniel Radcliffe entra num trem e vai para um lugarejo remoto na Inglaterra. O que vai fazer, pouco importa, porque não passa de uma mera desculpa, para, pouco depois, aprisioná-lo numa mansão assombrada pela personagem-título.
Ele é um advogado viúvo que não tem muito tempo para o filho pequeno, e precisa lidar com fantasmas – reais e imaginários – durante sua viagem. “A Mulher de Preto”, uma maldição local, mata criancinhas toda vez que alguém a vê, como punição por terem-na separado de seu filho pequeno. Assim, a cada aparição, uma criança morre de forma trágica. E o personagem de Radcliff vê a mulher vezes suficientes para os moradores locais cogitarem expulsá-lo dali.
Só um ricaço (Ciarán Hinds) toma as suas dores. Embora ele tenha perdido um filho, não acredita naquilo que chama de crendice popular. Sua mulher (Janet McTeer), pelo contrário, diz até travar contato com o filho morto durante transes mediúnicos. Já a tal Mulher de Preto aparece sem qualquer sutileza e só vem mesmo para provocar sustos.
(The Woman in Black - 2012)
domingo, 7 de outubro de 2012
As Patricinhas de Beverly Hills (1995)
Eu vou ser bem sincero. Quando vi que a revista Entertainment Weekly deste mês reuniu vários atores do filme "As Patricinhas de Beverty Hills", dezessete anos depois do filme ter sido lançado, eu fiquei extasiado! As fotos do encontro segue abaixo e o vídeo com a participação do elenco também. Vou postar a matéria toda em inglês no blog, porque não estou afim de fazer tradução...
'Clueless' reunion: Alicia Silverstone, Paul Rudd, and the rest of the gang get back together -- VIDEO
When she first walked onto the screen in July of 1995, it was love at first sight. America was immediately smitten by a ditzy, glitzy Beverly Hills fashion plate named Cher Horowitz. Well, almost everyone. When Alicia Silverstone first read writer-director Amy Heckerling’s script for Clueless in the back of a limo coming home from shooting one of her iconic ’90s Aerosmith videos, she didn’t get Cher. “I thought, ‘Who is this girl?’” says Silverstone. “I had nothing in common with her at all. I thought she was a materialistic, annoying little bitch.” As if!
Over the past 17 years, Silverstone and the rest of the cast (which also includes Paul Rudd, Stacey Dash, Donald Faison, Jeremy Sisto, Breckin Meyer, and the late Brittany Murphy) have not only come to embrace Cher in all of her well-intentioned matchmaking adorableness, they’ve also come to appreciate how a little $15 million high-school comedy changed their lives. In Rudd’s case, that mean teenage guys coming up to him for years, saying, “Dude, you got to make out with Alicia Silverstone!”
Check out video of the cult teen comedy’s class reunion.
n our oral history of the making of Clueless, you’ll learn about some now-famous names who auditioned for the film, but didn’t get cast (Reese Witherspoon as Cher, Terrence Howard as Murray, Lauryn Hill as Dionne), how the male stars spent weeks after the film wrapped sleeping on the floor of Meyer’s seedy apartment watching Corey Haim and Corey Feldman movies, and how they scratched their heads when they first encountered some of the slang that Heckerling’s script made famous (Whatever, Bettys & Barneys, and Monet). ”I had no idea what the hell I was saying,” says Faison. “What’s going postal mean? And when they explained to me what it meant, I thought, ‘That’s really messed up!’”
Here’s a sampler of some other Clueless outtakes and tidbits from the story:
*The film was originally pitched as a TV series to Fox TV with the title No Worries. Before being called Clueless, other titles included I Was a Teenage Teenager and Clueless in California. Says Heckerling, “When I grew up there were a lot of movies with titles like I Was a Teenage Werewolf and stuff like that. Clueless in California was just a play on Sleepless in Seattle.”
*While the story was based on Jane Austen’s novel Emma, none of the young crew knew that going in. “I had no idea,” says Silverstone, who was just 17 when the film was made. “I’m so embarrassed. When I was done with the movie they told me about Emma. And I read the book and I was like, Wow, Amy did such a good job. I was reading it and I’d be like, Hey, there’s Justin Walker’s character!”
*Heckerling, who also directed 1982′s Fast Times at Ridgemont High, hung out at Beverly Hills High School as research. What she didn’t know at the time was that both Silverstone and Meyer had gone there, too…as students. “I didn’t live in Beverly Hills,” says Meyer, “but it was a very good public school, so my parents lied about my address and we got me into Beverly Hills High. Alicia went to Beverly, too. I never saw her there, which just proves that I was not a very cool person. I guarantee that she didn’t know I existed.”
*Stacey Dash, who plays Cher’s best friend Dionne, was hardly a teenager at the time. “I was 27, and I was playing this high school student,” says Dash, “and I had a son at home who was six years old.”
*Heckerling intentionally let Silverstone mis-pronounce words because that’s what Cher would have done. “The first day we shot the scene in debate class. And Alicia said, the Hate-i-ans instead of Haitians, and everybody started to run up to her and tell her it was wrong. I had to stop them. It’s much funnier the way she said it. That was Cher.”
*Everybody’s expectations were low. Says Faison, “When we were making the movie, you don’t think the movie’s going to be good. You think, I’m making the next License to Drive. You think this movie’s going to be just for teenagers and that’s it.”
*Silverstone isn’t a very good a hoarder. “I thought the clothes were so wonderful, by the end I wanted all of them. I took a few things here and there. I didn’t do a very good job at saving any of them. I was stupid about that whole thing. I think I gave them all away.” Too bad, she could have made a fortune on eBay.
*Over the years, the film’s cult following has come up with some odd interpretations of the film. “Someone came up to me once and — very serious and teary-eyed — said, ‘I just want you to know that when I saw Clueless and I saw Travis decide to go into a 12-step program, that’s when I decided to get sober.’ There was a part of me that was like, ‘Wow, that’s amazing.’ And there was another part of me that was like, ‘Are you serious? Because I’m pretty sure Travis might have relapsed. But I’m happy you found that.’”
(Clueless - 1995)
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segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Monte Carlo (2011)
"Monte Carlo" cumpre o papel ao qual se propõe: ser uma diversão sem compromisso. Para aquelas pessoas que gostam de filmes no estilo conto de fadas, onde garota simples tem seu dia de princesa, este filme é um prato cheio. Além disso, é cheio de artifícios para atrair o público adolescente, como a estrela de "Gossip Girl", Leighton Meester e o astro de "Glee", Cory Monteith.
No entanto, acho que quem rouba a cena é o jovem ator francês Pierre Boulanger, que cresceu e apareceu depois de sua atuação em "Uma Amizade sem Fronteiras" e agora está belo e sedutor.
(Monte Carlo - 2011)
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
Mad About You - Segunda Temporada (1993)
Quem nasceu primeiro? A Phoebe Buffay ou a Ursula Buffay?
Para aqueles que assistiram aos 10 anos de "Friends", a Phoebe nasceu primeiro. Mas não. Quem nasceu primeiro foi a Ursula, no ano de 1993 na segunda temporada de "Mad About You". A adorável Lisa Kudrow deu vida primeiro à personagem de Ursula, que interpretava uma garçonete que trabalha no restaurante onde Paul e Jamie costumavam ir com os amigos. Ela tinha os mesmos trejeitos atrapalhados de Phoebe e por essa razão, em "Friends" foi feito um link entre as duas personagens.
Eu não sabia disso! E adorei ver esta segunda temporada, ainda mais com a participação de Lisa Kudrow. Bateu uma vontade de rever "Friends" agora...
(Mad About You - The Complete Second Season - 1993)
domingo, 16 de setembro de 2012
Paradise Lost 3: Purgatory (2011)
Este documentário da HBO é o último capítulo de uma trilogia que teve início em 1996 e conta a história de um crime em que os acusados são inocentes.
Os jovens Damien, Jason e Todd foram acusados de matar brutalmente 3 crianças em West Memphis em 1993. Damien foi condenado à morte e os outros dois à prisão perpétua. No entanto, algumas pessoas que trabalhavam para a HBO e que acompanharam o caso, acreditavam que os jovens eram inocentes e passaram a buscar provas para comprovar isto.
A partir daí registraram tudo em um documentário lançado em 1996 - "Paradise Lost: The Child Murders at Robin Hood Hills". Como as provas não eram suficientes para inocentar os garotos, a busca continuou e em 2000 foi lançado o documentário "Paradise Lost 2: Revelations". Mesmo assim os três jovens, agora já adultos, continuaram presos.
Em 2011 "Paradise Lost 3: Purgatory" conseguiu reunir provas suficientes para provar a inocência dos 3 rapazes, agora com mais de 35 anos de idade cada um. Através de exames de DNA e materiais das investigações que não haviam sido divulgados foi provado que os rapazes não estavam relacionados ao crime.
A inocência deles foi provada, mas o verdadeiro assassino das crianças não foi encontrado. Acredito que, devido ao insucesso das buscas apresentadas dos outros dois documentários, eles foram totalmente ignorados pela Academia. Mas como este terceiro foi um registro crucial da prova da inocência dos três, a Academia o reconheceu. Mesmo assim, apesar de sua sagacidade e argumento interessante, acredito que um documentário com mais de duas horas de duração não é fácil para ser assistido. Eu o assisti simplesmente por sua indicação ao Oscar, nada mais.
Indicado ao Oscar de Melhor Documentário.
(Paradise Lost 3: Purgatory - 2011)
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sábado, 15 de setembro de 2012
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
O Castelo no Céu (1986)
Sheeta cai repentinamente do céu literalmente para os braços de Pazu, que vive e trabalha numa pequena cidade nas montanhas. Este encontro leva ambos a uma série de aventuras provocadas pela perseguição de piratas do ar e do exército à Sheeta, devido a uma pedra misteriosa que ela carrega. Então os dois saem numa busca pela identidade dela e pelo lendário castelo do céu, Laputa.
(Tenkû no shiro Rapyuta - 1986)
Sentidos do Amor (2011)
Eu tenho uma teoria, e já a citei diversas vezes neste blog, de que um filme cujo título fora traduzido para o português contendo a palavra “amor” é ruim. “Sentidos do Amor” não foge à regra.
Um casal se apaixona, quando o mundo passa por uma epidemia, na qual aos poucos a humanidade vai perdendo os seus sentidos. Olfato, paladar, tato, audição, visão, e sua paciência, se perderão até que este filme acabe...
(Perfect Sense - 2011)
A Mentira (2010)
Não é mentira, mas minha idade já beira os 30 anos e eu ainda assisto (e gosto) de filmes com temática adolescente. Escola, garotas populares, problemas de convívio, fofocas, etc. Tudo isto ainda chama a minha atenção e me diverte. Ainda lembro dos títulos que fizeram sucesso quando eu tinha meus 15 anos, “Nunca Fui Beijada”, “Mal Posso Esperar”, “As Patricinhas de Beverly Hills”, “10 Coisas que eu Odeio em Você”, “Ela é Demais”, dentre tantos outros... Cada geração tem em mente (e no coração) os filmes que marcaram sua época, o engraçado é que a personagem deste filme faz menção aos filmes de John Hughes, que fizeram sucesso na década de 1980, dos quais, muitos deles eu aprovo! O engraçado é que ela busca em duas décadas anteriores uma justificação para o seu problema, sendo que ela poderia mencionar os títulos dos anos 1990 com total segurança.
Afinal, apesar das gerações mudarem, os problemas adolescentes continuam os mesmos. Aqui, o tabu é a perda da virgindade e como isto vira um boato sem fim em um colégio. E a técnica para atrair o público para este filme, também é o mesmo da técnica utilizada para atrair o público adolescente nos anos 90: ter como atores alguns dos participantes dos seriados de TV que mais fazem sucesso entre esta faixa etária. Neste caso, é a participação de Penn Badgley (o Dan de Gossip Girl), exibindo seu peitoral e fazendo papel de bom moço.
(Easy A - 2010)
domingo, 2 de setembro de 2012
Homem de Ferro 2 (2010)
Como todo filme de super-heroi que se preze, “Homem de Ferro 2” aspira ser mais do que realmente é. E como a maioria deles, o longa tropeça em suas próprias pretensões. O filme almeja ser um comentário sobre o estado do mundo contemporâneo e o preço da paz, mas acaba se resignando com o que é mais fácil, cômodo e rentável: fazer piadas.
A certa altura, o protagonista pendura na parede de sua sala um quadro do Homem de Ferro. Não é uma pintura qualquer, é um desenho estilizado, em tons de azul e vermelho – tal qual o famoso pôster usado por Barack Obama em sua vitoriosa campanha presidencial, em 2008. Talvez, a intenção do diretor, novamente Jon Favreu, e do roteirista, o ator Justin Theroux, fosse realmente ligar o personagem ao atual presidente dos EUA (o heroi declara que a paz mundial só existe graças a ele), ou talvez o cartaz seja apenas mais uma piada, entre tantas outras, perdidas no filme.
Ao contrário do primeiro, “Homem de Ferro 2” não está muito interessado em desenvolver uma trama e construir personagens para culminar em sequências de ação. Aqui, as correrias, tiros e explosões são precedidas de brincadeiras que deverão divertir apenas os iniciados.
Enquanto o primeiro filme trazia o prazer da descoberta, da apresentação, “Homem de Ferro 2” parece gerado por um programa de computador que esquece de incluir itens básicos como história empolgante, personagens interessantes e reviravoltas bem sacadas. A direção de Favreu não poderia ser mais mecânica e despersonalizada. Destacam-se apenas Downey Jr e o ótimo Sam Rockwell (Frost/Nixon), mais pelo talento e capacidade de atuação de ambos do que por aquilo que o filme oferece.
O fiapo de trama que serve para amarrar as pancadarias metálicas envolve uma rivalidade entre Tony Stark e seu concorrente, Justin Hammer (Rockwell), ambos empresários do setor bélico. Este pretende a todo custo criar uma espécie de Homem de Ferro genérico capaz de ser produzido em série para ser usado pelo governo dos Estados Unidos, como garantia da paz. O próprio governo, aliás, insiste que Stark entregue “sua arma” – embora o empresário/super-heroi negue que tenha uma arma.
Há também um vilão russo (lembrança dos tempos da Guerra Fria) interpretado por Mickey Rourke (O Lutador), que quer se vingar de Stark, pois, segundo ele, sua família foi destruída pelo pai de Tony. Seja lá quem for, ele parece ser o único capaz de criar aparelhos à altura para bater de frente com o Homem de Ferro.
Já às personagens femininas não há muito a oferecer. Gwyneth Paltrow é, novamente, a secretária de Stark que, dessa vez, dá a ela a presidência de sua empresa. E Scarlett Johansson é Natalie Rushman, uma assistente do departamento jurídico que, mais tarde, se revela um pouco mais do que isso.
Como puro entretenimento, “Homem de Ferro 2” deixa a desejar com seu ritmo cambaleante, humor fraco e a pouca novidade que traz em relação ao filme anterior – aquele sim bem mais divertido. No final das contas, a estrela do filme, o super-heroi, nem tem chance de aparecer tanto em cena, e o que fica é apenas a fumaça da pancadaria.
Nomeado ao Oscar de Efeitos Visuais.
(Iron Man 2 - 2010)
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Sucker Punch - Mundo Surreal (2011)
Para definir este filme a partir de referências cinematográficas, digamos que se trata de uma espécie de cruzamento de “As Meninas Superpoderosas” – sem recorrer à animação – com “Garota, Interrompida”. Como vai um pouco além da mistura, chega a ser uma aventura dark situada no universo do videogame.
Por encontrar-se nesse universo do game (o que é notório a partir do nome), o que se observa são personagens unilaterais, sem nuances – por mais que seja inevitável simpatizar com as meninas Baby (Emily Browning), Sweet Pea (Abbie Cornish), Rocket (Jena Malone), Blondie (Vanessa Hudgens) e Amber (Jamie Chung), todas elas prisioneiras de uma espécie de bordel de luxo, em que os administradores são um tantinho sádicos.
Na verdade, o bordel é imaginário – faz parte dos delírios de Baby, a pobre menina órfã internada num hospício pelo padrasto (Gerard Plunkett), para ficar com seus bens, depois de ter-se livrado da mulher e da outra filha. E o fato de sabermos disso não tira a graça do filme. Muito pelo contrário, até porque sua maior sedução está nesse visual surreal dos sonhos bizarros da menina, que foge da realidade bruta para esse universo repleto de cenários de guerra.
Como se trata de imaginação, tudo é possível – inclusive misturar épocas e armas e contar sempre com a ajuda de um sábio (Scott Glenn), que por vezes aparece como um mestre zen, em outras como um piloto de século XX de casaco de couro.
Para que a fantasia funcione, o jogo define que Baby está dançando para os demais habitantes do hospício/bordel – o que dá o start para suas loucas fantasias, compartilhadas pelo público, que só vê o que ela vê, como ela vê. O mundo exterior só aparece no começo e no final.
Essa meninas valentes, em figurinos sexy – embalando as fantasias do diretor e corroteirista Zack Snyder, visando uma plateia masculina adolescente, sem dúvida – certamente estimulam uma torcida a seu favor. Mas imaginar “Sucker Punch – Mundo Surreal” como uma fantasia feminista é fora de propósito. Na verdade, esse é o marketing da coisa. Se alguém tiver alguma dúvida, é só prestar atenção no longo e meloso discurso edificante do fim, que, de novidade, só tem uma – depois da velha psicologia de botequim, agora existe a psicologia de videogame. Todas as duas, rasas de doer. Mas, como filme-videogame, vá lá, pode ser divertido.
(Sucker Punch - 2011)
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