Em “Barry Lyndon”, outro filme de Stanley Kubrick, a principal cena de batalha mostra uma luta que nunca chegou aos livros de História, conforme relata o narrador, “apesar de ter sido memorável para aqueles que dela participaram”. Quando Kubrick decidiu fazer um filme sobre o Vietnã, baseou-se nessa abordagem, logo após as diversas tomadas fantásticas e ansiosas de Francis Ford Coppola (Apocalipse Now) e Oliver Stone (Platoon) terem estabelecido um vocabulário cinematográfico amargo para aquela guerra, em meio a névoa de ácido e napalm. “Nascido Para Matar” revela outra faceta do mundo dos soldados de infantaria do Exército norte-americano, no qual todos os oficiais, comandantes de batalhão ou não, são seres alienígenas ridículos mas mortíferos (até as prostitutas, dizem eles, “são oficiais a serviço da guerra”). Os heroicos marines, que caminharam longa e penosamente em tantos filmes como “Dá-me tua mão”, são garotos com apelidos engraçados, sem a menor noção de onde estão ou o que estão fazendo.
Baseado no romance autobiográfico “The Short-Timers”, de Gustav Hasford, com contribuições do roteirista Michael Herr (autor de Dispatches e da narrativa de “Apocalipse Now”) “Nascido Para Matar” é brutal, espirituoso, assustador e comovente em iguais proporções, representando situações de guerra raramente vislumbradas no cinema. Uma longa ação de abertura se passa na Ilha Parris, o centro de exame e treinamento de novos recrutas. Após uma montagem na qual jovens de cabelos compridos são tosados para se tornarem robôs carecas tão indistintos quanto os personagens futurísticos do longa “THX 1138”, de George Lucas, o filme é comandado pelo impressionante R. Lee Erney, como o sargento instrutor Hartman, cujos obscenos, originais e cruéis maus tratos contra os recrutas são destinados a subjulgar totalmente os “vermes”, antes que possam ser reconstruídos como máquinas de matar. Durante um sermão, Hartman orgulha-se do fato de que Lee Harvey Oswald e Charles Whitman aprenderam a atirar com os marines. A terrível ironia dessa sequência, similar ao regime de treinamento de “Spartacus”, é que o resultado lógico da transformação de um gorducho atrapalhado em um dos grotescos homens-macacos de Kubrick, com um penetrante olhar primal, lembra tanto o bando de vândalos de “Laranja Mecânica” quanto Jack Torrance em “O Iluminado”. A primeira providência do recém-criado marine é assassinar seu torturador/criador e depois se suicidar.
Após esse evento, as sequencias do Vietnã são quase um alívio. Enquanto o soldado raso Joker, um jornalista, relaxa um pouco e encontra outros indivíduos ainda mais insanos, o metralhador de um helicóptero dá uma resposta técnica à pergunta sobre como é capaz de matar mulheres e crianças (“É fácil, faça mira não muito a frente delas”) e um coronel faz a seguinte observação: “Filho, tudo o que peço a meus fuzileiros é que eles obedeçam às minhas ordens como obedeceriam às palavras de Deus.” O apogeu é um conflito durante a batalha nos escombros da cidade de Hue, onde o pelotão de Joker encontra uma franco-atiradora vietnamita. Ninguém vence essa batalha, e a tropa de fuzileiros marcha noite adentro cantando a canção do Clube do Mickey Mouse. Somente Kubrick ousaria provocar Disney assim.
Indicado ao Oscar de Roteiro Adaptado.
(Full Metal Jacket - 1987)
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Candy (2006)
Este drama australiano conta uma história de amor na qual os amantes devem ficar separados para sobreviver, pois juntos se destroem.
Heath Ledger é Dan, um jovem poeta que se apaixona por Candy. A primeira parte do filme, chamada de ‘Paraíso’, acompanha o envolvimento do casal, quando o amor e a heroína bastam para fazê-los felizes. O mundo à sua volta parece não existir mais. Os dois só têm olhos um para o outro e para as emoções artificiais proporcionadas pela droga.
Como não têm muitos meios de se sustentar, eles dependem da ajuda do bioquímico Casper, que em seu laboratório sintetiza e experimenta algumas drogas e não hesita em compartilhá-las com o jovem casal.
Logo Candy e Dan caem na realidade e começam a ver a vida de outra forma. A heroína se torna mais forte do que o amor e a moça é obrigada a se prostituir para manter o vício. O ‘Inferno’ não tarda a chegar e a vida do casal chega ao limite da destruição.
Candy conta com duas performances inspiradas de Abbie Cornish e Ledger como o casal de viciados. A jornada dela é mais árdua, passando de boa moça a drogada irrecuperável. A decadência física que a atriz imprime ao personagem dá mais consistência ao filme. Já Dan tem uma evolução mais sutil – uma vez que ele já era viciado antes do início da história.
Se “Candy” acerta ao investir a fundo no romance entre os protagonistas, a narrativa nunca explora com profundidade o conflito entre a moça e sua mãe, que muitas vezes explode, sem muitas explicações. Algumas cenas parecem criadas apenas para chocar, sem muita força dramática. Ainda assim, os dois protagonistas conseguem criar personagens humanos, desesperados e altamente verossímeis , o que não é pouco.
(Candy - 2006)
Heath Ledger é Dan, um jovem poeta que se apaixona por Candy. A primeira parte do filme, chamada de ‘Paraíso’, acompanha o envolvimento do casal, quando o amor e a heroína bastam para fazê-los felizes. O mundo à sua volta parece não existir mais. Os dois só têm olhos um para o outro e para as emoções artificiais proporcionadas pela droga.
Como não têm muitos meios de se sustentar, eles dependem da ajuda do bioquímico Casper, que em seu laboratório sintetiza e experimenta algumas drogas e não hesita em compartilhá-las com o jovem casal.
Logo Candy e Dan caem na realidade e começam a ver a vida de outra forma. A heroína se torna mais forte do que o amor e a moça é obrigada a se prostituir para manter o vício. O ‘Inferno’ não tarda a chegar e a vida do casal chega ao limite da destruição.
Candy conta com duas performances inspiradas de Abbie Cornish e Ledger como o casal de viciados. A jornada dela é mais árdua, passando de boa moça a drogada irrecuperável. A decadência física que a atriz imprime ao personagem dá mais consistência ao filme. Já Dan tem uma evolução mais sutil – uma vez que ele já era viciado antes do início da história.
Se “Candy” acerta ao investir a fundo no romance entre os protagonistas, a narrativa nunca explora com profundidade o conflito entre a moça e sua mãe, que muitas vezes explode, sem muitas explicações. Algumas cenas parecem criadas apenas para chocar, sem muita força dramática. Ainda assim, os dois protagonistas conseguem criar personagens humanos, desesperados e altamente verossímeis , o que não é pouco.
(Candy - 2006)
Videodrome - A Síndrome do Vídeo (1983)
Um filme revolucionário originário do movimento comercial/independente dos anos 80 em Hollywood, a história de David Cronenberg sobre as horríveis transformações geradas pela exposição à violência televisionada aborda habilmente os problemas que o próprio diretor havia tido com censores, distribuidores de Hollywood e grupos feministas por conta da exploração de imagens de violência sexual em suas produções anteriores. Max Renn (James Woods) é um operador de estação de TV a cabo cujo marketing cínico de sexo e violência se volta contra ele quando seu abdome subitamente desenvolve uma abertura em forma de vagina na qual, entre outros objetos, videocassetes podem ser inseridos. O filme, no qual tais fantasias sadomasoquistas e de troca de gêneros desempenham papéis centrais, termina de forma trágica, com a autodestruição de Max.
Sendo, em vários sentidos, a manifestação formal mais audaciosa dos temas característicos de Cronenberg, “Videodrome” começa como um thriller comercial bastante comum para se transformar em uma fantasia subjetiva do tipo mais chocante e pouco usual. Visualmente elaborado, o filme é também provocante em sua ponderação surpreendente tanto sobre a perversidade polimorfa quanto sobre a enterpenetração entre os domínios público e subjetivo da experiência. Cronenberg foi ao mesmo tempo elogiado e condenado por seu tratamento fluido dos sexos (uma sequência final, que mostrava dois personagens femininos desenvolvendo pênis em uma espécie de contraponto à “vaginação” de Max, foi cortada por ser muito perturbadora). Mesmo em sua forma editada, “Videodrome” continua sendo um dos filmes menos comuns de Hollywood, chocante e idiossincrático demais para ser algo além de um fracasso comercial.
(Videodrome - 1983)
Sendo, em vários sentidos, a manifestação formal mais audaciosa dos temas característicos de Cronenberg, “Videodrome” começa como um thriller comercial bastante comum para se transformar em uma fantasia subjetiva do tipo mais chocante e pouco usual. Visualmente elaborado, o filme é também provocante em sua ponderação surpreendente tanto sobre a perversidade polimorfa quanto sobre a enterpenetração entre os domínios público e subjetivo da experiência. Cronenberg foi ao mesmo tempo elogiado e condenado por seu tratamento fluido dos sexos (uma sequência final, que mostrava dois personagens femininos desenvolvendo pênis em uma espécie de contraponto à “vaginação” de Max, foi cortada por ser muito perturbadora). Mesmo em sua forma editada, “Videodrome” continua sendo um dos filmes menos comuns de Hollywood, chocante e idiossincrático demais para ser algo além de um fracasso comercial.
(Videodrome - 1983)
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quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Victor ou Victória (1982)
Julie Andrews interpreta Victória, uma soprano desempregada que para conquistar um papel em um musical se veste de homem, transformando-se assim em Victor.
Victor na verdade não seria um homem másculo, ele é um homossexual que em suas apresentações musicais interpreta mulheres. Sendo assim, Victória é um homem que se faz de mulher.
Para mim o ponto alto deste filme são as apresentações musicais, no mais, não me agradou muito não...
"Victor ou Victoria" venceu o Oscar de Trilha Sonora. Foi indicado nas categorias: Melhor Atriz (Julie Andrews), Ator Coadjuvante (Robert Preston), Atriz Coadjuvante (Lesley Ann Warren), Direção de Arte, Figurino e Roteiro Adaptado.
(Victor Victoria - 1982)
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sábado, 19 de novembro de 2011
El Cuarto de Leo (2009)
Já fazia um bom tempo que não assistia a um bom filme, que não postava neste blog, e que não me retirava da realidade que me cerca. Sinceramente eu estava precisando me dispersar um pouco e nada melhor que assistir a um filme com uma das minhas temáticas preferidas: a GLS.
“El Cuarto de Leo” foi o primeiro filme uruguaio que assisti, acho que até então nem me dava conta de que o Uruguai produzia filmes (sem ser preconceituoso ou nacionalista). Aliás, este é um bom filme e seu tema central é pautado na aceitação. Não na aceitação dos outros para o que nós somos, mas em nossa aceitação para o que nós somos.
Leo é um jovem que namora, estuda e trabalha, no entanto, não está feliz com sua realidade. Seu namoro é frustrante, principalmente quando se trata de suas relações sexuais com sua namorada, pois todas as vezes ele se mostra impotente. E assim seu namoro termina. É então que Leo começa a se descobrir, procura relacionamentos pela internet, mas encontra ajuda mesmo quando começa a consultar a um psicólogo.
A trilha do filme é muito boa, pena que não encontrei uma lista com o nome de todas as canções do filme, somente consegui fazer o download de sua trilha instrumental. Caso alguém saiba de um site que forneça ao menos os nomes das canções, será muito bem-vindo.
(El Cuarto de Leo - 2009)
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sábado, 8 de outubro de 2011
Quebrando Todas as Regras (2002)
Fim de semana na casa dos meus pais, sem nada para fazer e sem dinheiro para viajar, a única coisa que me restou a fazer, além de estudar, é claro, foi assistir a alguns filmes. “Quebrando Todas as Regras” foi um deles.
Bem, o filme não é muito bom e eu só tive curiosidade em assistí-lo por causa da Alicia Silverstone, afinal gosto dela desde que assisti pela primeira vez “As Patricinhas de Beverly Hills”, em que Silverstone perpetuou a personagem Cher.
Aqui a personagem não é nada interessante e é praticamente coadjuvante, apesar dela estar na capa do filme. A história gira em torno de um casal de velhos ingleses, aristocratas falidos, que vivem em uma mansão em uma pequena região da Inglaterra. Como este casal está falido e precisando de dinheiro, resolvem alugar a casa em que vivem. No entanto, o casal de empregados que permaneceria na casa enquanto esta está alugada, não pode permanecer na mansão. Resta assim, ao casal de aristocratas, servir de empregados aos novos inquilinos.
O que o casal não sabe é que estes inquilinos são membros de uma banda de rock, que curtem ouvir um som pesado, fumar maconha, se drogar e viver de uma maneira totalmente contrária da prezada por estes velhos ingleses. Alicia Silverstone é simplesmente uma dos integrantes do grupo, nada mais.
(Rock My World - 2002)
Bem, o filme não é muito bom e eu só tive curiosidade em assistí-lo por causa da Alicia Silverstone, afinal gosto dela desde que assisti pela primeira vez “As Patricinhas de Beverly Hills”, em que Silverstone perpetuou a personagem Cher.
Aqui a personagem não é nada interessante e é praticamente coadjuvante, apesar dela estar na capa do filme. A história gira em torno de um casal de velhos ingleses, aristocratas falidos, que vivem em uma mansão em uma pequena região da Inglaterra. Como este casal está falido e precisando de dinheiro, resolvem alugar a casa em que vivem. No entanto, o casal de empregados que permaneceria na casa enquanto esta está alugada, não pode permanecer na mansão. Resta assim, ao casal de aristocratas, servir de empregados aos novos inquilinos.
O que o casal não sabe é que estes inquilinos são membros de uma banda de rock, que curtem ouvir um som pesado, fumar maconha, se drogar e viver de uma maneira totalmente contrária da prezada por estes velhos ingleses. Alicia Silverstone é simplesmente uma dos integrantes do grupo, nada mais.
(Rock My World - 2002)
O Circo (1928)
“O Circo” foi mais um dos filmes que o Telecine Cult exibiu no mês de setembro para homenagear Charles Chaplin. Tudo bem que já estamos no mês de outubro, mas como não tive tempo de assistir todos os filmes exibidos no mês passado, vou assistindo aos poucos.
O personagem de Chaplin é o mesmo vagabundo dos outros filmes que até agora assisti. Cheio de mímicas, engraçado, mudo e em preto-e-branco, um sucesso. E desta vez a história é ambientada no ambiente mambembe de um circo, onde uma bela garota malabarista sobre devido a exigência de seu pai e onde o Vagabundo interpretado por Chaplin consegue ser mais engraçado do que os próprios palhaços do circo.
Estou gostando desta maratona Chaplin. Espero que em breve consiga assistir todos os filmes que foram exibidos pelo Telecine Cult.
Charles Chaplin foi homenageado com um Oscar honorário por sua versatilidade em atuar, escrever, dirigir e produzir este filme.
(The Circus - 1928)
O personagem de Chaplin é o mesmo vagabundo dos outros filmes que até agora assisti. Cheio de mímicas, engraçado, mudo e em preto-e-branco, um sucesso. E desta vez a história é ambientada no ambiente mambembe de um circo, onde uma bela garota malabarista sobre devido a exigência de seu pai e onde o Vagabundo interpretado por Chaplin consegue ser mais engraçado do que os próprios palhaços do circo.
Estou gostando desta maratona Chaplin. Espero que em breve consiga assistir todos os filmes que foram exibidos pelo Telecine Cult.
Charles Chaplin foi homenageado com um Oscar honorário por sua versatilidade em atuar, escrever, dirigir e produzir este filme.
(The Circus - 1928)
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Kramer vs. Kramer (1979)
Quando li uma crítica sobre “Kramer vs. Kramer” pela primeira vez, soube que o filme era sobre a disputa de um casal pela guarda de seu filho. A primeira impressão que tive foi que este filme se passaria totalmente em um tribunal, no estilo do filme “O Homem que Fazia Chover”, mas quando o assisti, vi que não era bem isso.
O filme é bem mais do que eu imaginava, é tão tocante, tão envolvente, tão emocionante, que tenho que confessar que cheguei a derramar algumas lágrimas ao ver o Dustin Hoffman fazendo rabanadas para seu filho no fim do filme.
A história começa com a personagem de Meryl Streep se despedindo de seu filho e logo mais discutindo com seu marido (Dustin Hoffman) e o abandonando. Assim, este pai e marido se vê totalmente desamparado ao ser abandonado por sua esposa, tendo que cuidar sozinho de seu filho de 6 anos de idade. As cenas de conflito entre pai e filho são maravilhosas, bem reais, e o pequeno Justin Henry (com apenas 8 anos de idade) dá um show de interpretação, e recebeu até uma indicação ao Oscar.
A história não é sobre uma disputa judicial. A história é sobre uma relação de abandono. A história é sobre um pai que ama seu filho acima de qualquer coisa e deseja o melhor para ele. A história é sobre uma mulher que deseja algo mais do que ser dona de casa e mãe. A história é sobre um garoto que sente falta de sua mãe, mas que descobriu em seu pai o seu porto seguro. É uma bela história. Isso eu posso garantir.
Vencedor de 5 Oscar: Melhor Filme, Melhor Ator (Dustin Hoffman), Atriz Coadjuvante (Meryl Streep), Direção (Robert Benton) e Roteiro Adaptado. Indicado em mais 4 categorias: Ator Coadjuvante (Justin Henry), Atriz Coadjuvante (Jane Alexander), Fotografia e Edição.
(Kramer vs. Kramer - 1979)
O filme é bem mais do que eu imaginava, é tão tocante, tão envolvente, tão emocionante, que tenho que confessar que cheguei a derramar algumas lágrimas ao ver o Dustin Hoffman fazendo rabanadas para seu filho no fim do filme.
A história começa com a personagem de Meryl Streep se despedindo de seu filho e logo mais discutindo com seu marido (Dustin Hoffman) e o abandonando. Assim, este pai e marido se vê totalmente desamparado ao ser abandonado por sua esposa, tendo que cuidar sozinho de seu filho de 6 anos de idade. As cenas de conflito entre pai e filho são maravilhosas, bem reais, e o pequeno Justin Henry (com apenas 8 anos de idade) dá um show de interpretação, e recebeu até uma indicação ao Oscar.
A história não é sobre uma disputa judicial. A história é sobre uma relação de abandono. A história é sobre um pai que ama seu filho acima de qualquer coisa e deseja o melhor para ele. A história é sobre uma mulher que deseja algo mais do que ser dona de casa e mãe. A história é sobre um garoto que sente falta de sua mãe, mas que descobriu em seu pai o seu porto seguro. É uma bela história. Isso eu posso garantir.
Vencedor de 5 Oscar: Melhor Filme, Melhor Ator (Dustin Hoffman), Atriz Coadjuvante (Meryl Streep), Direção (Robert Benton) e Roteiro Adaptado. Indicado em mais 4 categorias: Ator Coadjuvante (Justin Henry), Atriz Coadjuvante (Jane Alexander), Fotografia e Edição.
(Kramer vs. Kramer - 1979)
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Amizade Colorida (2011)
Sinceramente, minha vida está corrida e eu a estou vivendo em câmera lenta. Quando olho para o calendário não acredito que já estamos no mês de outubro, que faltam 2 meses para terminar minha faculdade e que eu ainda não escrevi nenhuma página do meu TCC. A vida está corrida e hoje meu dia foi cheio, aula na faculdade, curso de francês, compras no mercado, contas a pagar. Além disso, tenho um trabalho para apresentar amanhã para o Congresso de Iniciação Cientifica da minha faculdade e ainda nem comecei a prepará-lo. E ao invés de prepará-lo, fui ao cinema e assisti “Amizade Colorida”.
Tenho que confessar que não me arrependi de dar este escape à minha realidade, o filme garantiu-me boas risadas em um momento de solidão. É, solidão. Eu estava literalmente só no cine. Fui sozinho, como muitas vezes já fui ao cinema.
O filme é simplesmente o mais do mesmo, uma comédia romântica com uma boa pitada de sexo, ou melhor, uma boa pitada de dois corpos bonitos na tela do cinema. Para os mais puritanos, constrangimento na certa. Para os mais assanhados, boas risadas! Sem contar a cidade de Nova York como pano de fundo, vida agitada, badalada, além de juramentos sobre uma bíblia armazenada em um kindle. Boa tirada.
Gostei da trilha sonora, em que faz parte a bela canção do Semisonic “Closing Time”, que me fez recordar a meus 15 anos, quando esta música tocava nas rádios. E eu achava que aos 28 teria uma vida totalmente diferente da que levo agora. Aí que saudade daquele tempo! “I know who I want to take me home...” Infelizmente eu ainda não tenho quem me leve para casa… Segue a cena do filme com a música em flash mob:
(Friends with Benefits - 2011)
Tenho que confessar que não me arrependi de dar este escape à minha realidade, o filme garantiu-me boas risadas em um momento de solidão. É, solidão. Eu estava literalmente só no cine. Fui sozinho, como muitas vezes já fui ao cinema.
O filme é simplesmente o mais do mesmo, uma comédia romântica com uma boa pitada de sexo, ou melhor, uma boa pitada de dois corpos bonitos na tela do cinema. Para os mais puritanos, constrangimento na certa. Para os mais assanhados, boas risadas! Sem contar a cidade de Nova York como pano de fundo, vida agitada, badalada, além de juramentos sobre uma bíblia armazenada em um kindle. Boa tirada.
Gostei da trilha sonora, em que faz parte a bela canção do Semisonic “Closing Time”, que me fez recordar a meus 15 anos, quando esta música tocava nas rádios. E eu achava que aos 28 teria uma vida totalmente diferente da que levo agora. Aí que saudade daquele tempo! “I know who I want to take me home...” Infelizmente eu ainda não tenho quem me leve para casa… Segue a cena do filme com a música em flash mob:
(Friends with Benefits - 2011)
sábado, 24 de setembro de 2011
Luzes da Cidade (1931)
O Telecine Cult está exibindo alguns filmes do Charles Chaplin este mês e este foi o segundo filme que assisti deste grande cineasta. O primeiro foi "O Garoto", em que Chaplin interpreta de maneira terna o "Vagabundo" de bom coração.
Neste "Luzes da Cidade" o personagem é o mesmo e o coração do personagem é ainda maior. É incrível como Chaplin conseguiu transformar histórias simples em filmes maravilhosos. Vale muito a pena assistir a seus filmes, mesmo eles sendo mudos e preto e branco. Aqui segue a crítica do 1001 Filmes Para Ver Antes de Morrer:
"Convencido de que a fala destruiria a beleza do cinema, o maior dos mímicos, Charles Chaplin, sofreu com a introdução da tecnologia sonora e decidiu ignorá-la, apesar de todos os conselhos contrários. Apresentado como 'uma comédia romântica em forma de pantomima', 'Luzes da Cidade', seu filme desafiadoramente mudo de 1931, é em todos os aspectos um triunfo, superando com seu melodrama comovente e sua graça o desejo das plateias por filmes falados - ainda que mais tarde, depois do término das filmagens, Chaplin tenha incorporado efeitos sonoros e composto e conduzido a trilha sonora, conforme continuaria fazendo nos seus filmes posteriores.
O pequeno Vagabundo encanta-se com uma vendedora de flores cega (a graciosa Virginia Cherrill) e salva um milionário excêntrico do suicídio. Sua galante corte à menina e sua determinação em recuperar sua visão o levam a uma série de trabalhos que não dão certo - como a memorável luta de boxe 'arranjada' - enquanto sua relação intermitente com o magnata bêbado e imprevisível oferece situações cômicas paralelas. Como de hábito nos filmes de Chaplin, temos a habilmente coreografada piada com comida - aqui, uma serpentina no meio do espaguete do desavisado Carlitos - e uma desventura em ritmo de pastelão com a lei. Com suas belas atuações e equilíbrio perfeito entre comédia e um eloquente pathos, o filme culmina com um desfecho profundamente tocante. Um dos verdadeiros marcos do cinema".
(City Lights - 1931)
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Win Win (2011)
Quando vi o pôster deste filme logo pensei: “cara de filminho alternativo, tenho certeza que vou gostar!”. E realmente gostei!
O filme é centrado na vida de Mike, advogado, pai de duas meninas e casado com Jackie. Sua função como advogado é a de auxiliar idosos que se encontram incapazes de tomar decisões por si próprios e carecem de um responsável, e por esta razão terão suas guardas deixadas nas mãos do Estado. É através de seu emprego que Mike conhece Leo, um idoso com recursos financeiros, mas que fora abandonado pela única filha, Cindy.
Como Leo é um homem com dinheiro, mas não pode tomar conta de si mesmo, Mike decide ter sua guarda para que em troca recebesse 1500 dólares mensais, com a garantia de que o mantivesse em sua casa, com todos os cuidados necessários. No entanto, Mike encaminha Leo a um asilo.
Certa vez, Mike vai até a casa vazia de Leo e lá encontra um garoto, Kyle, neto de Leo. Como ele tem a guarda do avô do garoto, Mike decide levar Kyle para casa. É neste ponto que se inicia a questão central do filme, como agregar um garoto com costumes diferentes aos seus à sua família? O mote do filme é o Wrestling, um tipo de luta, em que Mike é treinador nas horas vagas e que curiosamente Kyle é campeão (na vida real, o ator que interpreta este personagem foi campeão também).
O ponto alto do filme é a forma com que a família de Mike vai se envolvendo com Kyle, agregando o garoto como se ele fosse o filho mais velho deles. Sempre sonhei em ter filhos, mesmo que adotados ou agregados, acho que por isto “Win Win” chamou tanto a minha atenção.
(Win Win - 2011)
O filme é centrado na vida de Mike, advogado, pai de duas meninas e casado com Jackie. Sua função como advogado é a de auxiliar idosos que se encontram incapazes de tomar decisões por si próprios e carecem de um responsável, e por esta razão terão suas guardas deixadas nas mãos do Estado. É através de seu emprego que Mike conhece Leo, um idoso com recursos financeiros, mas que fora abandonado pela única filha, Cindy.
Como Leo é um homem com dinheiro, mas não pode tomar conta de si mesmo, Mike decide ter sua guarda para que em troca recebesse 1500 dólares mensais, com a garantia de que o mantivesse em sua casa, com todos os cuidados necessários. No entanto, Mike encaminha Leo a um asilo.
Certa vez, Mike vai até a casa vazia de Leo e lá encontra um garoto, Kyle, neto de Leo. Como ele tem a guarda do avô do garoto, Mike decide levar Kyle para casa. É neste ponto que se inicia a questão central do filme, como agregar um garoto com costumes diferentes aos seus à sua família? O mote do filme é o Wrestling, um tipo de luta, em que Mike é treinador nas horas vagas e que curiosamente Kyle é campeão (na vida real, o ator que interpreta este personagem foi campeão também).
O ponto alto do filme é a forma com que a família de Mike vai se envolvendo com Kyle, agregando o garoto como se ele fosse o filho mais velho deles. Sempre sonhei em ter filhos, mesmo que adotados ou agregados, acho que por isto “Win Win” chamou tanto a minha atenção.
(Win Win - 2011)
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Minha Vida de Cão (1994)
Quanta sensibilidade há neste seriado e como Claire Danes nos transmite, com uma doce delicadeza, os sentimentos de sua personagem Ângela Chase. Interpretação esta que fora reconhecida e merecidamente premiada com um Globo de Ouro.
Lembro-me que quando adolescente, o canal aberto SBT transmitiu “Minha Vida de Cão” nas tardes de sábado e eu até cheguei a assistir alguns episódios, mas não acompanhei o seriado todo. Como sou nostálgico, ou vivo de nostalgia (o que não considero um ponto positivo), decidi acompanhar esta série por completo. E agora, que terminei de assistí-la, eu digo uma coisa, é uma pena que este seriado tenha durado apenas 1 temporada com 19 episódios, tendo o seu final sido deixado completamente em aberto. Cheguei a ler em alguns meios de comunicação que a série fora cancelada devido à sua baixa audiência, outros meios, no entanto, citam que foi exatamente a boa qualidade do seriado que o tirou do ar.
E é exatamente sobre esta boa qualidade que me interessa falar. A narrativa gira em torno da adolescente Ângela, que passa por uma crise de identidade aos 15 anos de idade. Sua melhor amiga do passado, Sharon, já não ocupa mais o lugar de antes, lugar este que é preenchido pela companhia de Rayanne e Rickie, respectivamente uma garota rebelde e um jovem homossexual, aspecto este, que remete a atual situação da protagonista, que está passando por uma fase de transformação. Além disso, Ângela está se apaixonando por um jovem revoltoso – estilo James Dean em “Juventude Transviada” – chamado Jordan Catalano, aqui interpretado pelo jovem e belo ator Jaret Leto.
Um ponto interessante do seriado, é que inicialmente ele é narrado pela personagem principal, mas, em certos episódios o narrador muda e outros personagens passam a contar esta mesma história a partir de seu próprio ponto de vista. Isto chegou a acontecer com o personagem Brian, vizinho de Ângela que é platonicamente apaixonado pela garota, e assim toma a narrativa por este viés, e também por sua irmã Danielle, que muitas vezes se sente rejeitada em sua casa e a partir desta visão de mundo narra os fatos como os vê.
Outra questão abordada nesta série foi a da relação entre pais e filhos na adolescência. Patty e Graham Chase são os pais de Ângela e Danielle. Ao mesmo tempo Ângela os ama e os odeia, necessita deles, mas os quer afastados dela.
Histórias sobre adolescentes, assim falando, podem parecer banais, mas esta aqui é tocante. Afinal, quem nunca passou por esta fase tão complicada e adorada da vida? Eu, com toda a minha nostalgia, daria tudo para voltar no tempo.
(My So-Called Life - 1994)
Lembro-me que quando adolescente, o canal aberto SBT transmitiu “Minha Vida de Cão” nas tardes de sábado e eu até cheguei a assistir alguns episódios, mas não acompanhei o seriado todo. Como sou nostálgico, ou vivo de nostalgia (o que não considero um ponto positivo), decidi acompanhar esta série por completo. E agora, que terminei de assistí-la, eu digo uma coisa, é uma pena que este seriado tenha durado apenas 1 temporada com 19 episódios, tendo o seu final sido deixado completamente em aberto. Cheguei a ler em alguns meios de comunicação que a série fora cancelada devido à sua baixa audiência, outros meios, no entanto, citam que foi exatamente a boa qualidade do seriado que o tirou do ar.
E é exatamente sobre esta boa qualidade que me interessa falar. A narrativa gira em torno da adolescente Ângela, que passa por uma crise de identidade aos 15 anos de idade. Sua melhor amiga do passado, Sharon, já não ocupa mais o lugar de antes, lugar este que é preenchido pela companhia de Rayanne e Rickie, respectivamente uma garota rebelde e um jovem homossexual, aspecto este, que remete a atual situação da protagonista, que está passando por uma fase de transformação. Além disso, Ângela está se apaixonando por um jovem revoltoso – estilo James Dean em “Juventude Transviada” – chamado Jordan Catalano, aqui interpretado pelo jovem e belo ator Jaret Leto.
Um ponto interessante do seriado, é que inicialmente ele é narrado pela personagem principal, mas, em certos episódios o narrador muda e outros personagens passam a contar esta mesma história a partir de seu próprio ponto de vista. Isto chegou a acontecer com o personagem Brian, vizinho de Ângela que é platonicamente apaixonado pela garota, e assim toma a narrativa por este viés, e também por sua irmã Danielle, que muitas vezes se sente rejeitada em sua casa e a partir desta visão de mundo narra os fatos como os vê.
Outra questão abordada nesta série foi a da relação entre pais e filhos na adolescência. Patty e Graham Chase são os pais de Ângela e Danielle. Ao mesmo tempo Ângela os ama e os odeia, necessita deles, mas os quer afastados dela.
Histórias sobre adolescentes, assim falando, podem parecer banais, mas esta aqui é tocante. Afinal, quem nunca passou por esta fase tão complicada e adorada da vida? Eu, com toda a minha nostalgia, daria tudo para voltar no tempo.
(My So-Called Life - 1994)
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Ghost World - Aprendendo a Viver (2001)
Depois de terminarem o segundo grau, as adolescentes Enid (Thora Birch) e Rebecca (Scarlett Johansson) debruçam-se sobre o que vão fazer da vida, considerando arranjar empregos e alugar um apartamento, mas a realidade da vida adulta parece querer afastá-las. “Ghost World – Aprendendo a Viver” é a adaptação do “comic book” underground de Daniel Clowes. Já o filme mostra um olhar incomum sobre os nerds e os perdedores que, apesar do seu potencial, acabam por serem sempre ignorados ou desprezados e, por isso, são quase invisíveis, como fantasmas. Com uma vida social praticamente nula, tornam-se gradualmente incapazes de estabelecer laços e relações com as pessoas "normais" que as rodeiam, passando a habitar áridas esferas de solidão.
A visão do mundo que nos apresenta, tem lá os seus momentos de humor, mas é extremamente irônica, pessimista e consistentemente sombria. Entre trabalhar, entrar na universidade ou tentar arrumar um namorado, Enid opta por… nenhum dos três! Aliás, não só ela, mas também Rebecca. O cotidiano das duas se resume a fazer planos para sair das casas dos respectivos pais e soltar, uma atrás da outra, tiradas e trotes ácidos sobre quem estiver por perto, conhecido ou não. Enid é uma pessoa solitária e irascível demais para manter relacionamentos de qualquer natureza.
O comportamento de Enid, ao longo do tempo, transforma a garota em alguém que o pai (Bob Balaban) e os amigos não compreendem. Ela não é preguiçosa e nem tem medo de trabalhar, como Rebecca imagina. Tampouco é chata, como a maioria das pessoas que convivem com ela pensa, apesar do senso de humor volátil. Lésbica, como alguns acreditam? De jeito nenhum. Enid é apaixonada por Josh (Brad Renfro), rapaz que trabalha numa loja de conveniência, mas sua maneira de demonstrar amor é passar pelo posto onde ele trabalha, todo dia, e deixá-lo enfezado com brincadeiras irritantes. Seu jeito bruto, birrento e desleixado engana todo mundo. Ninguém a entende.
Com a exceção de Rebecca, a única alma no mundo com quem Enid simpatiza é Seymour (Steve Buscemi), um colecionador de discos raros de blues que passa os dias num emprego burocrático e gasta as horas livres imaginando o que fazer para conquistar uma mulher, qualquer mulher. Como ela, Seymour é um paria que sofre de completa inadaptação social, com o agravante de que é menos inteligente, e portanto possui menos facilidade para lidar com o problema – e é exatamente essa característica dele que mais atrai a garota. Em um filme normal de Hollywood, dois personagens assim estariam fadados a se apaixonar, apesar da diferença de idade. Não em “Ghost World”, cujo enredo segue por um caminho impossível de antecipar.
Usando de humor adulto, o diretor aborda a dura realidade das pessoas com dificuldade de adaptação social, de uma maneira que jamais soa arrogante, professoral ou amarga. Sim, há um clima evidente de melancolia que perpassa todo o longa-metragem, mas esse é exatamente o estado de espírito de Enid – alguém que sabe rir dos percalços que enfrenta, mesmo quando algo inesperado piora um instante que parecia não poder piorar. Como se não fosse suficiente, o diretor criou ainda um dos figurantes mais interessantes dos últimos tempos, na figura do velhinho que espera diariamente um ônibus vermelho cuja linha foi alterada – o que significa que o ônibus jamais passa. E o final do filme é imprevisível, alegórico e maravilhoso.
Indicado ao Oscar de Roteiro Adaptado.
(Ghost World - 2001)
A visão do mundo que nos apresenta, tem lá os seus momentos de humor, mas é extremamente irônica, pessimista e consistentemente sombria. Entre trabalhar, entrar na universidade ou tentar arrumar um namorado, Enid opta por… nenhum dos três! Aliás, não só ela, mas também Rebecca. O cotidiano das duas se resume a fazer planos para sair das casas dos respectivos pais e soltar, uma atrás da outra, tiradas e trotes ácidos sobre quem estiver por perto, conhecido ou não. Enid é uma pessoa solitária e irascível demais para manter relacionamentos de qualquer natureza.
O comportamento de Enid, ao longo do tempo, transforma a garota em alguém que o pai (Bob Balaban) e os amigos não compreendem. Ela não é preguiçosa e nem tem medo de trabalhar, como Rebecca imagina. Tampouco é chata, como a maioria das pessoas que convivem com ela pensa, apesar do senso de humor volátil. Lésbica, como alguns acreditam? De jeito nenhum. Enid é apaixonada por Josh (Brad Renfro), rapaz que trabalha numa loja de conveniência, mas sua maneira de demonstrar amor é passar pelo posto onde ele trabalha, todo dia, e deixá-lo enfezado com brincadeiras irritantes. Seu jeito bruto, birrento e desleixado engana todo mundo. Ninguém a entende.
Com a exceção de Rebecca, a única alma no mundo com quem Enid simpatiza é Seymour (Steve Buscemi), um colecionador de discos raros de blues que passa os dias num emprego burocrático e gasta as horas livres imaginando o que fazer para conquistar uma mulher, qualquer mulher. Como ela, Seymour é um paria que sofre de completa inadaptação social, com o agravante de que é menos inteligente, e portanto possui menos facilidade para lidar com o problema – e é exatamente essa característica dele que mais atrai a garota. Em um filme normal de Hollywood, dois personagens assim estariam fadados a se apaixonar, apesar da diferença de idade. Não em “Ghost World”, cujo enredo segue por um caminho impossível de antecipar.
Usando de humor adulto, o diretor aborda a dura realidade das pessoas com dificuldade de adaptação social, de uma maneira que jamais soa arrogante, professoral ou amarga. Sim, há um clima evidente de melancolia que perpassa todo o longa-metragem, mas esse é exatamente o estado de espírito de Enid – alguém que sabe rir dos percalços que enfrenta, mesmo quando algo inesperado piora um instante que parecia não poder piorar. Como se não fosse suficiente, o diretor criou ainda um dos figurantes mais interessantes dos últimos tempos, na figura do velhinho que espera diariamente um ônibus vermelho cuja linha foi alterada – o que significa que o ônibus jamais passa. E o final do filme é imprevisível, alegórico e maravilhoso.
Indicado ao Oscar de Roteiro Adaptado.
(Ghost World - 2001)
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sábado, 10 de setembro de 2011
A Última Sessão de Cinema (1971)
"Um formalista ardente numa época em que seus colegas dos anos 70 estavam dedicados a quebrar regras, Peter Bogdanovich obstinadamente se ateve a ideias e ideais antiquados dirigindo "A Última Sessão de Cinema". Nesse sentido, a sua adaptação do livro de Larry McMurtry deve ser vista como um elogio à geração anterior de grandes diretores (como Howard Hawks ou John Ford) no momento em que uma nova geração de jovens pioneiros direcionava a produção de filmes para um rumo mais solto e mais visceral.
Uma história de transição para a maturidade passada em uma pequena cidade empoeirada do Texas. "A Última Sessão de Cinema" é uma despedida dos anos 50, captando as mudanças nas tradições e nos interesses da América. Um elenco fantástico de novos atores (incluindo Jeff Bridges, Cybill Shepherd, Randy Quaid e Timothy Bottoms) atua ao lado de veteranos como Cloris Leachman e Ben Johnson enquanto tentam encontrar o seu lugar num mundo em mudanças. A visão de Bogdanovich é sombria mas honesta e ele capta (em um duro porém belo preto e branco) os momentos desajeitados em que a inocência se transforma em experiência, sem emitir juízos e sem espaço para a nostalgia. O filme representa o final de toda uma era, pleno com o sentimento de tragédia e deixando transparecer uma pesada e inconfundível tristeza.
Vencedor dos Oscar de Ator e Atriz Coadjvantes (Ben Johnson e Cloris Leachman). Indicado nas categorias: Melhor Filme, Direção (Peter Bogdanovich), Ator Coadjuvante (Jeff Bridges), Atriz Coadjuvante (Ellen Burstyn), Fotografia e Roteiro Adaptado.
(The Last Picture Show - 1971)
Uma história de transição para a maturidade passada em uma pequena cidade empoeirada do Texas. "A Última Sessão de Cinema" é uma despedida dos anos 50, captando as mudanças nas tradições e nos interesses da América. Um elenco fantástico de novos atores (incluindo Jeff Bridges, Cybill Shepherd, Randy Quaid e Timothy Bottoms) atua ao lado de veteranos como Cloris Leachman e Ben Johnson enquanto tentam encontrar o seu lugar num mundo em mudanças. A visão de Bogdanovich é sombria mas honesta e ele capta (em um duro porém belo preto e branco) os momentos desajeitados em que a inocência se transforma em experiência, sem emitir juízos e sem espaço para a nostalgia. O filme representa o final de toda uma era, pleno com o sentimento de tragédia e deixando transparecer uma pesada e inconfundível tristeza.
Vencedor dos Oscar de Ator e Atriz Coadjvantes (Ben Johnson e Cloris Leachman). Indicado nas categorias: Melhor Filme, Direção (Peter Bogdanovich), Ator Coadjuvante (Jeff Bridges), Atriz Coadjuvante (Ellen Burstyn), Fotografia e Roteiro Adaptado.
(The Last Picture Show - 1971)
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Simplesmente Alice (1990)
Este é mais um filme de Woody Allen, mais um em que este diretor/roteirista/ator fora indicado ao Oscar de roteiro original. O filme não é tão bom assim, mas vale pela diversão e reflexão, que após terminar de vê-lo, temos em relação a nossa humilde vida. Apesar do contexto inicial fantasioso, o que chama a atenção no primeiro tempo, o filme logo perde a graça, pois, talvez a direção tenha sido o ponto fraco, já que o roteiro fora reconhecido.
Alice é uma mulher casada com um homem muito rico, mãe de dois filhos e sua vida se resume as compras, comandar os empregados de seu lar e organizar a vida privada de seu marido, além disso, Alice cuida de sua saúde, principalmente de suas dores nas costas que sente constantemente, freqüentando massagistas e recebendo visitas de seu personal trainer.
Certa vez, quando está em um salão de beleza (consumindo e ouvindo fofocas), Alice reclama com uma amiga as dores que tem sentindo, é aí que esta amiga lhe indica um massagista chinês que costuma utilizar ervas em seus tratamentos. Nesta mesma conversa, Alice declara que se sente culpada por se sentir atraída por um homem com o qual jamais trocou uma palavra, mas que o encontra às vezes, quando busca seus filhos no colégio.
Quando resolve se consultar com o curandeiro chinês, este a recomenda que tome um chá de ervas e não deixe de lado a sua programação diária, e como resultado, Alice se solta e acaba tendo uma conversa um tanto quanto sensual com o homem que atrai sua atenção. Em outra visita ao chinês, é recomendado que ela tome uma outra erva, desta vez uma erva rara, que como efeito tem o poder de causar a invisibilidade, assim Alice pode conhecer qualquer pessoa em seu íntimo.
Entre visitas ao médico chinês, encontros com o homem que a atrai e o convívio com o seu marido, Alice percebe que não está satisfeita com sua vida de riqueza e luxo, o que na verdade a torna uma pessoa vazia e a faz transformar radicalmente sua forma de encarar as coisas.
Indicado ao Oscar de Roteiro Original
(Alice - 1990)
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